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domingo, 26 de junho de 2011

HISTORINHAS DE VALORES MUITO BOA!!


O Porquinho Marrom

Tema : respeito à Propriedade Alheia
Indicação de 6 a 10 anos
Motivação a critério do Evangelizador.
Desenvolvimento:
      Era uma vez um lindo porquinho chamado ventura.Era o mimoso da casa da casa. Andava pelo pátio atrás das crianças, brincando com o gato, associava-se a canja do totó e em todos os lugares era bem recebido.
     Mas, apesar de tudo isso, porquinho ventura, não andava satisfeito. È que ele era muito guloso e a muito vinha cobiçando umas laranjas bem madurinhas que avistou num quintal muito longe de onde morava.

      Pensava tanto nelas que ultimamente andava triste, triste
     Seus amigos prediletos: a gatinha Mimi eo cachorrinho Totó preocupavam-se só de vê-lo assim,só pensando naquelas laranjas
  
      Au Au, dizia totó meio zangado. Não sabes então que aquelas frutas são do vizinho?
     Miau Miau! Aconselhava Mimi, lembra-te Amigo , é feio e perigoso pegar o que é dos outros.
     Porquinho Ventura baixava a cabeça meio envergonhado. Sabia que seus amigos tinham razão e que ninguém gostava de bichinhos que mexessem nas coisas alheias. Suspirava então. As laranjas estavam tão madurinhas!...E fazia mil promessas de não tocar nelas.
      Um dia, porem, Ventura resolveu passear sozinho.Atravessou o quintal e saiu estrada afora.
     Ora correndo atras de uma borboleta, ora fuçando uma terrinha gostosa, foi-se afastando sem notar que estava longe demais. De repente parou preocupado. Grossas nuvens apareciam no céu e um vento frio começou a soprar. Aproximava-se um temporal.
     Porquinho Ventura assustou-se, quando ouviu o primeiro trovão "Tenho que voltar depressa para casa’’
     E girando nas patinhas começou a correr
      "Vou atalhar por este campinho, pois ficará mais perto.’’ Mas para passar pelo tal campinho , precisava atravessar uma cerca de arame farpado e o coitado do Ventura quase ficou com o seu rabicho preso .
Não há de ser nada murmurou ele corajosamente, coçando o rabinho todo arranhado.

   
      A chuva porem não esperou a cair. Ensopado até os ossos, Ventura teve que procurar um abrigo até que passasse o temporal. Foi então que avistou ao longe uma árvore. Era o único refugio que havia por ali Num instante achou-se todo encolhido em baixo da árvore, enquanto a chuva caia em grossos pingos.
     
      Nisto tudo passou como por encanto e o bondoso sol surgiu como por encanto no céu azul.
     Porquinho Ventura levantou-se resolvido a ir embora para casa, bem depressa. De repente sentiu um cheirinho muito seu conhecido. Levantou o focinho. Que maravilha! Lá estavam naquela mesma árvore as laranjas que tanto cobiçava! E como eram madurinhas e cheirosas!
     De boca aberta e olhos brilhando de cobiça, Ventura não pode se conter Quando percebeu já estava subindo na laranjeira Ao chegar estalou a língua gulosamente e estendeu a patinha, pronto para apanhar a maior e mais madura de todas as laranjas.
      Então que horror! Resvalou no tronco molhado, perdeu o equilíbrio e caiu ...caiu... caiu numa tina cheia de tinta marron.
     Que é isto? Onde fui cair? Gritou ele muito assustado. Saltando para fora da lata e sacudindo-se com força. Mas de nada serviram as suas sacudidelas. Ficara todo amarronzado. Ventura nem quis saber das laranjas e tratou de ir para casa, a fim de limpar-se.
     Porém ai é que foi o pior ninguém o reconheceu assim pintado de marron.
      Todos fugiram, cheios de medo. Gatinha Mimi quase arranhou-lhe o focinho, e por um pouco, cachorrinho Totó não lhe mordia o rabichinho. Só quando Ventura falou, é que foi reconhecido. Então os amigos ficaram com muita pena do que lhe acontecera e trataram de lavá-lo. Então os amigos, esfregaram, esfregaram...mas a tinta não saiu mesmo. Resultado ninguém o chamou mais por Ventura. Era agora conhecido pelo nome de " porquinho Marron.
     E nisso muito o entristecia, porem não tanto como a lembrança da feia ação que havia praticado.





"O patinho que queria falar"

      Era uma vez um lindo patinho amarelo. Um dia ele saiu de casa bem cedinho e foi passear na estrada. A manhã estava clara, o céu azul e havia muitos animaizinhos passeando.

     Não tinha ainda dado muitos passos e viu um gato engraçadinho. O gato que era muito bem educado, cumprimentou-o assim:
      - Miau, miau! 
      O patinho ficou encantado e disse:
      - Oh! Que modo bonito de falar você tem, Sr. Gatinho.     
      Quem me dera falar assim !
      - É muito fácil, patinho, respondeu o gato. Vamos experimentar?
      O patinho experimentou dizer "miau". Não conseguiu. Experimentou de novo, experimentou muitas vezes! Foi impossível!         Então falou:
      - É muito difícil, Sr. Gatinho! Isso não é conversa para patinhos! Despediu-se do gato e continuou a passear. 
    Foi andando, andando e encontrou-se com Dona Galinha Carijó.
     - Có, có, có, disse Dona galinha.
     O patinho ficou encantado:
     - Oh! Que modo bonito de falar a senhora tem, Dona Galinha!
      - Experimente falar assim, patinho.
      O patinho tentou imitar Dona Galinha. Fez tudo que pôde e nada conseguiu. Depois de algum tempo, já bem desanimado, falou:
      - Muito obrigado pela ajuda, Dona galinha, mas isto é muito difícil para patinhos.
     Despediu-se de Dona Galinha e continuou o seu caminho. Andou, andou e entrou na mata. De repente, ouviu a voz mais linda do mundo:
     - Piu, piu, piu!...
     - O patinho ficou encantado!        Olhou para cima e lá estava, no galho da árvore, um lindo passarinho de penas coloridas.
     - Que modo de falar bonito você tem, passarinho! Quem me dera falar como você!
     - Experimente, patinho! Experimente falar assim!
     O patinho abriu o bico. Fez tudo que pôde para dizer "piu, piu, piu!". Foi impossível. Já estava desanimado. Despediu-se e voltou triste para casa. 
    No meio do caminho encontrou Dona Pata.
     - Quá, quá, quá, disse a pata.
     - Oh! Mamãe, disse o patinho. Será que posso falar como a senhora?
     - Experimente, filhinho,experimente...
      O patinho abriu o bico. Que vontade de falar como a mamãe! E se não conseguisse?...Não falou como gato, nem como galinha, nem como passarinho. Será que poderia falar como pato? Fez um esforço, e...
      - Quá, quá, quá...
      - Muito bem, filhinho ! disse-lhe a mamãe , toda feliz.
      O Patinho ficou alegre, muito alegre. Depois, juntinho com a mamãe, voltou para casa e a todo instante, abria o bico para dizer mais uma vez:
      - Quá, quá, quá...

(DESENHOS E ADAPTAÇÃO DE MARIA R. DO AMARAL
TEMA- INCONFORMAÇÃO: ALEGRIA DE SER O QUE SE É)


"A CASA DE MAZALU" 
Malba Tahan

Ciclo: Primário 
TEMA: Simplicidade
(Desenhos e adaptação de Maria R. de Amaral)
      
     Era um sapo que se chamava Mazalu.
     Leia bem devagar: MA-ZA-LU. O sapo Mazalu vivia muito quito debaixo de uma pedra junto ao rio.
     
  
    
       Certa manhã, o sapo Mazalu saiu a passeio e encontrou o seu amigo tatu. O tatu chamava-se Pavio.
        Leia sem se apressar: PA-VI-O .
        - Como vai, amigo Mazalu? Como tem passado?
        O sapo respondeu:
        - Vou bem, obrigado, amigo Pavio.
        Disse então o tatu:
        - Qualquer dia eu apareço lá por sua casa. Vou fazer-lhe uma visita. O sapo tremeu. E sabem por que? Ele não tinha casa. Morava embaixo de uma pedra num lugar frio e cheio de lama. Como receber a visita de um amigo tão elegante como o pavio?
         Depois de pensar uma pouco, o sapo respondeu delicado :
         - Apareça, amigo tatu, apareça. Vá um dia jantar comigo.
         - Está bem, amigo sapo. Brevemente irei passar a tarde em sua casa.
         Nesse mesmo dia, o sapo tratou de arranjar uma casa onde pudesse receber a visita do tatu. 
       Ele ouvira dizer que uma ave chamada joão-de-barro fazia casas. E que casas bonitas! Mais bonitas que as casas feitas pelos engenheiros. Dali mesmo ele foi procurar o joão-de-barro.
        - Você pode fazer uma casa para mim, joão-de-barro ?
        O João-de-Barro respondeu:
          - Não há nada mais fácil. Farei para você uma casa muito bonita com portas e varanda. Custa só cem reais.
          - Está bem, respondeu o sapo. 
          E pagou os cem reais para o João-de-Barro. No dia seguinte o sapo foi ver a casa construída pelo João-de-Barro.
          Era muito bonita, bem feita e tinha porta e varanda . mas ficava muito alta, no galho de uma árvore e o sapo não podia chegar até lá.
          Mazalu foi obrigado a desistir da casa feita pelo João-de-Barro.
      "Só a formiga saúva será capaz de fazer uma casa que sirva", pensou o sapo. "Vou falar com a formiga saúva".
       Mas a formiga morava em formigueiros horríveis onde não entra água.
       E a casa feita pela formiga saúva, não serviu ao sapo. Era pequena, muito seca e abafada.
       O sapo gostava de lugares úmidos e frios.


     O sapo lembrou-se da velha coruja que passa o dia recolhida e só sai à noite para passear. A coruja sim é que sabe fazer casas magníficas. E o sapo resolveu comprar uma casa da coruja.
      Mas a casa da coruja não ia servir para ele; era um buraco feito no tronco de uma velha mangueira e o sapo, por mais que pulasse não conseguiria alcançar a porta de sua nova moradia.
         Pobre Mazalu! Mal sabia ele que casa de coruja não serve para sapo.

      Muito triste, o sapo procurou o macaco que vivia a saltar pelas árvores.
       - Macaco, você pode fazer uma casa para mim?
       - Ora se posso! - respondeu o macaco.
       E sabe o que fez o macaco?


     Arranjou um caixote sem tampo e desse caixote fez uma casa para o sapo.
      - Agora sim - disse o sapo - posso receber a visita do meu amigo tatu.
       Mas no dia da visita o tatu ficou muito triste. Não podia entrar na casa do sapo. O caixote era muito pequeno; ele não cabia lá dentro.

     
  
       - Amigo sapo - disse o tatu - a casa é para mim pequena e desagradável. Pensei que você morasse debaixo de uma pedra junto ao rio. Era lá que eu queria jantar com você.
       Ao ouvir isso, o sapo ficou muito espantado. Tivera tanto trabalho e despesa para arranjar aquela casa e, no entanto, o tatu queria encontrá-lo como ele vivia, modesto e tranqüilo debaixo de uma pedra junto ao rio.
      
       O sapo voltou para o seu lugar e lá recebeu muitas visitas . Cada vez que o tatu ia visitá-lo, levava um belo presente para o amigo.



          AQUELE QUE É FELIZ NUMA CASA MODESTA E POBRE NÀO DEVE INVEJAR O PALÁCIO DO RICO.
          VIVAMOS , POIS, COM SIMPLICIDADE E MODÉSTIA, POIS A FELICIDADE NÃO RESIDE NO LUXO NEM NA OPULÊNCIA!


 "ANDRÉ"
(A criança, a família e a escola)
   
TEMA: Lei da Conservação - Amor à criança, à família e à escola
      Este sou eu. Meu nome é André. Sou um menino de seis anos completos.
       Este ano vou para o prezinho da escola Meimei.
       Já fiz o jardim da infância, e por isso conheço uma escola.
       Sou um menino (modéstia à parte) muito educado.
       Sei que tenho cabeça para pensar, olhos para ver, ouvidos para ouvir e coração para sentir.
       Tenho amor às plantas e animais, e por falar nisso, apresento a todos o meu cachorrinho Bilé.
        Ele é bonzinho e gosta de me ouvir tocar bumbo.
        Tenho muitos coleguinhas, mas Bilé é meu grande amigo de todos os dias. Logo de manhã vem me acordar, ficando só sobre as patinhas traseiras. Levanto-me e já vou para o banheiro lavar o rosto, escovar os dentes e ficar bem arrumadinho para o café.
              Gosto de leite porque faz bem, engorda, faz crescer, fortalece os dentes e os ossos de nosso corpo.
             A professora, na escola, ensina que devemos ser ordeiros, não deixar as coisas fora de lugar, portanto, tenho os meus sapatos na sapateira, minhas roupas nas gavetas, meus brinquedos no lugar certo e minhas coisas escolares (bolsa, lancheira, lápis, cadernos e demais objetos) todos guardados no armário, esperando passarem as férias para a volta às aulas.
            Nós sabemos que toda criança deve ir à escola, brincar, comer bem, descansar na hora do repouso e, muito importante também, tratar da aparência pessoal.
            Deve andar sempre limpinha; de criança limpinha e penteada, todo mundo gosta.
            Os cuidados pessoais são muito importantes. Uma criança inteligente não espera a mamãe mandar escovar os dentes. Isso porque, como eu, ela quer ter os dentes bonitos e saudáveis quando crescer, e não ficar "banguela" ou usando dentadura! Sabe também que o dentista é um amigo que cuida dos dentes, como o jardineiro cuida das plantinhas. 
            Eu cuido das minhas mãos, deixando as unhas sempre bem aparadas, pois sujeira debaixo das unhas traz micróbios que passam doenças para nós.              As unhas dos pés também não devem ser esquecidas. Tomo meu banho diário, pois sei que criança limpinha não cheira mal. Experimente olhar no espelho depois do banho e veja se não está uma beleza!
          Já aprendi a tomar cuidado com a roupa, que custa caro e mamãe não tem tanto dinheiro para comprar outra; a roupa suja deve ser lavada e não devemos deixá-la jogada no chão. Sei também que os bolsos não são lata de lixo: não servem para guardar pauzinhos, pedrinhas, tampinhas, etc.
          Os meus sapatos...quando estão limpos, são bonitos...
          E assim, meus amiguinhos, eu sou uma criança muito FELIZ!
 A FAMÍLIA
         Todo mundo tem família.
         Preste atenção e veja que a família de todo mundo é mais ou menos igual: pai, mãe e filhos.
        Todo mundo que nasce tem avós, tios e primos.
        Quando a família é um pouco grande, existem mais parentes ainda.
        Esta é a minha família : papai, mamãe e Fernando, meu irmão mais velho.
        Fazemos música em quarteto, isto é, papai ao piano, meu irmão toca banjo, eu toco tambor e mamãe canta. 
        Como é bonita a minha família!
        Numa família todos devem trabalhar, cada um dos membros faz uma coisa. Geralmente é a mamãe quem cuida da casa, das roupas, da alimentação, mas ela sabe que pode contar com a nossa ajuda. Na sua casa alguém ajuda a sua mãe? Eu e Fernando sempre ajudamos nossa mamãe a pôr o lixo na rua, a varrer o quintal da casa, a aguar as plantinhas do jardim, a fazer alguma compra, a recolher roupa do varal...
         Quase sempre o pai trabalha fora de casa, numa fábrica, loja, escritório, oficina, consultório, táxi, etc. Existem muitas profissões e todas as pessoas que trabalham recebem dinheiro, que é chamado salário.
         Com o salário é que podemos manter nossa vida, comprar o que precisamos para nossa casa e tantas outras coisas necessárias para viver. 
(obs. - contar nos dedinhos das mãos: papai, mamãe, eu, meu irmão, minha irmãzinha, etc.
         Lembrar o aluninho de que no brasil, mais de 50% da população é composta de crianças.
         Comentar que nosso governo está cuidando da parte educacional, construindo escolas.
         Falar que as crianças devem ser amigas dos pais e dar-se bem com os irmãos e coleguinhas;que a família deve reunir-se pelo menos às refeições e em determinado dia da semana para as orações evangélicaas no lar.
         Podemos falar também para criança sobre a sagrada família: jesus, maria e josé.
         Lembrar que josé era um modesto carpinteiro, maria era dona de casa e deram a jesus muito amor paternal, recebendo dele muito amor filial.
   COMO SE COMPORTAR À MESA
Eu aprendi como me comportar à mesa, seguindo estes sábios conselhos.
Numa festinha, deve-se ter bom comportamento: não encher os bolsos com balas e comer o bolo devagar.
  
       A ESCOLA
        Um dia, uma coleguinha ganhou de presente uma pasta cheia de material escolar e me chamou para ver.
        Sabem o que havia dentro?
        Tanta coisa que até poderíamos abrir uma papelaria!

            Cadernos, lápis de cera, borracha, régua, tesoura sem ponta e até uma lousa para escrever e desenhar.
          Minha coleguinha disse que quer ser professora quando crescer.
          Eu perguntei para ela como era sua escola.


           Ela me contou que a escola tem muitas salas e muitos alunos: uma sala para o maternal, uma para o jardim e outra para o pré-primário (é para essa que eu vou).
          Minha professora será a tia Enoé.
          Os alunos e professores trabalham junto com os funcionários e o diretor.
          Uma escola precisa de secretária, diretor(a) e de professores.



 COISAS E PESSOAS DA ESCOLA
          Meu amiguinho, olhe bem para sua sala de aula: quadro negro, giz, apagador, mesa para a professora, cadeirinhas e mesas para os alunos, e armários, onde são guardados os cadernos, livros, mapas, etc.
          Não sei se você já viu a sala da diretoria da sua escola; os móveis são outros porque a atividade do diretor não é a mesma que a do professor.
          Numa escola grande, existe sempre uma secretaria.
          Nossa escola está sempre limpa. Quem trabalha para que ela seja assim?
          Naturalmente, existem funcionários que limpam, lavam os filtros de água, varrem, etc.
         Quanto aos alunos, eu já sei que devem ter responsabilidades: jogar o lixo no cesto, não pisar nas plantinhas, ajudar a manter a limpeza nos banheiros, etc.
        Minha escola tem um código de ordem e disciplina. (obs: falar, detalhadamente, sobre cada item para a criança)
Vir à escola todos os dias.
Chegar sempre na hora certa.
Cuidar da higiene e da saúde.
Cuidar da aparência pessoal e do uniforme.
Prestar atenção às aulas.
Manter seu material em ordem.
Conviver bem com os outros.
Fazer tudo com carinho e amor.
Ajudar os outros.
Cuidar dos animais e das plantas.
Ser obediente e respeitar os outros.
Conversar com Jesus e com Deus.


História 14
"As Palavras Mágicas"

                Dona Paula estava muito preocupada com seu sobrinho Gilberto, que havia chegado de fora há pouco dias. Não que ele fosse um menino desobediente, nem um menino muito travesso. Não era. Pelo contrário, obediente e bem comportado.

           Mas, Gilberto não era um menino amável, atencioso... Nunca dizia "muito obrigado" a ninguém, não cumprimentava as pessoas, nem pedia as coisas com delicadeza.


           Se entrava num taxi com a titia, embora ela cumprimentasse o motorista com gentileza, ficava em silêncio ou então ordenava:
          - Ande ligeiro! Bem depressa!...
          Se andava num elevador, empurrava os outros e nunca pedia licença. Não era gentil com ninguém.
          Resultado: o dono do armazém nunca lhe dava uma bala, o que costumava fazer com as outras crianças; os motoristas de taxi não olhavam para ele com simpatia; e as pessoas que encontravam no elevador não lhe diziam uma palavrinha gostosa ou, pelo menos lhe davam um sorriso amável.
          Natural, pois, que titia Paula andasse preocupada.
           Um dia, Gilberto entrou na cozinha e viu que a tia estava se preparando para fazer um bolo. Então disse logo:
        - Eu quero um bolo só para mim.
        - Pode ser... respondeu a tia Paula - Mas, ante, você terá que dizer umas palavras mágicas. Se você disser, eu farei o bolinho.
          Gilberto ficou pensando que palavras mágicas seriam estas. Mas, logo se lembrou de uma estória que vovô havia lhe contado. Por isso, gritou:
          - Abracadabra! Abracadabra!
          - Não, não são estas as palavras mágicas – disse a tia, sorrindo.
          - Não?? - Gilberto pensou, pensou...
          - Balabalabla! Balabalabla! - tornou a gritar.
          Dona Paula sacudiu a cabeça.
          - Não, também não são estas.
          - Dipo dipodóclus! Dipo diodóclus!
          - Não, não! – disse ainda a tia, achando graça das invenções do sobrinho.
          Gilberto não sabia o que dizer. Pensou... pensou... Então, desanimado pediu:
            - Por favor, tia Paula, quais são as palavras mágicas?
          E muito surpreendido, ouviu a titia dizer:
          - Viva! Você já disse as palavras mágicas. Pronto! Vou fazer um bolinho só para você.
           O menino ficou admirado. Depois, lembrou-se. E, muito contente, falou:
          - "Por favor"... então são estas as palavras mágicas, que conseguem tudo?
          Tia Paula disse que sim e ensinou ainda outras palavras mágicas que fazem com que todo o mundo gosto da gente.
           Gilberto ouviu tudo com muita atenção e prometeu não se esquecer mais das tais palavras mágicas. E começou a cumprir sua palavra, pois quando a tia lhe deu um lindo bolinho, bem cheiroso, ele, muito gentil, falou, sorrindo:
          - Muito obrigado, tia Paula. Muito obrigado!






O Burrinho Marrom
Tema: Amor ao próximo
Indicação: 7 a 11 anos

          Preâmbulo: Amar ao próximo como a si mesmo; fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem é a mais completa expressão da caridade, pois resume todos os deveres para com o próximo. Com que direito exigiríamos de nossos semelhantes atitudes nobres, a tolerância, a benevolência e o devoção, se o não tivéssemos para com eles?
          A prática destas máximas tende a destruir o egoísmo. 
          Motivação; a critério do Evangelizador.
           Desenvolvimento: O senhor João que morava em uma pequena cidade do interior. Na hora do almoço, aproveitou a ocasião e notificou a família que teria que fazer uma viagem de negócios à capital do Estado. Chamou as filhas e lhes disse:
          _Vou viajar, mas voltarei dentro de três dias. Ficarei muito feliz se ao voltar, souber que vocês estudaram e ajudaram a mamãe.
          _Está bem papai, pode ir sossegado. Nós havemos de nos comportar bem disse Margarida que era a mais velha. Tinha 11 anos e estava se preparando para o exame de admissão do ginásio.
           _Trarei presentes para todos disse o papai.
          _Opa! Gritou Maria que era a mais nova. Tinha apenas 4 anos.
          _Ei! Para mim ele também trás não é papai? Falou Marta, a que tinha 7 anos e estudava no Pré Primário.
          _Sim minhas filhas, eu me lembrarei de vocês todas, e também da mamãe, disse o senhor João. Mas olhem lá; não quero ficar triste quando chegar.
           Enquanto o Senhor João e Dona Judite, arrumavam a mala, as meninas brincavam em volta dos dois. Maria já queria saber o que o papai iria trazer para ela. mas ele dizia que não sabia ainda, só quando visitasse as lojas é que veria o que trazer. Marta também estava ansiosa, pois queria ganhar uma boneca Fifi, mas estava atrasada nos estudos e a mamãe já a advertira de que passeios e presentes seriam reduzidos, caso ela não se aplicasse mais nos estudos.
          Já Margarida ajudava bastante, dobrando roupa, embrulhando os sapatos e trazendo uma ou outra peça que mamãe pedia.
          Depois que a bagagem do papai ficou pronta, as meninas foram se preparar para dormir, enquanto o Senhor João cuidava dos assuntos a serem desenvolvidos.
           Margarida a mais velha orientava, no banheiro, as menores como deviam escovar os dentes, lavar rosto e vestir o pijama. Logo apareceu na sala Maria, com um pijama de listras azuis.
          _Vim dizer boa noite papai. E não se esqueça de meu presente papai.
          _Não minha filha, não me esquecerei. Agora vá dormir. Logo em seguida entraram Margarida e Marta.
          _Olhe disse Marta, não vá se esquecer de minha boneca Fifi.
          _Sim minha filha, vou ver o que poço fazer. Estude bastante. Foram todos dormir e no dia seguinte, logo as 5 horas da manhã seu João estava saindo para tomar o trem.
           A viagem era longa, e o trem deveria passar por muitas cidades antes de chegar a capital.
          Enquanto isso, na casa de dona Judite, as meninas levantaram-se cedo e cada qual procurou fazer a sua tarefa. Margarida ajudava mamãe na arrumação da casa e nas compras no armazém. Sabia e como, trazer tudo o que mamãe precisava. Era o leite, o pão o feijão e tudo o mais.
          Marta, dava papisas para o cachorrinho lulú e limpava a sua casinha. Até pintou com tinta vermelha o telhado da casa do cachorrinho.
          Deu banho no cãozinho e botou remédio na água para matar as pulgas.
           Maria não deixou por menos. Ajudou muito a mamãe nas tarefas do almoço. Lavou as verduras, arrumou a vasilha de frutas, varreu a cozinha e precisou a mamãe dizer.
          _Chega Maria de me ajudar, você deve estar cansada filha.
          Logo a noitinha sentaram-se a mesa e fizeram seus deveres de casa.
          Margarida como a mais velha, tomava as lições das mais novas. Estudaram, escreveram, e por fim houve ainda uma sessão de desenhos. Cada qual fez um desenho mais belo que o outro.
          Na capital o senhor João fez todos os seus negócios e contatos necessários. Pensou então de ir as lojas para comprar os presentes das filhas. Teve bastante trabalho, mas comprou tudo com muito carinho. Para a mamãe comprou um lindo vestido, para as meninas também comprou o que pediram. Voltava feliz e orou agradecendo a Deus a boa viagem que fizera. Chegou em casa pela tarde. Dona Judite abriu a porta e o abraçou.
           _Bom dia, disse o senhor João, como vão todos. E as meninas?
          Estão na escola, mas já estão para chegar porque está na hora de voltarem para casa. Dali a pouco entraram as pequenas alegres e falando:
          _Papai, Papai! O senhor já chegou? E correram para abraça-lo.
          Disse o senhor João, já que estão aqui, vamos ver o que comprei para todas. Vou abrir a mala e guardar tudo nos lugares certos. Na mala grande estava vários embrulhos bem feitinho com papel de presentes.
          Este- disse, olhando-o de perto -é da mamãe; um corte de vestido. Este é de Margarida. Uma bolsa com uma coleção de lápis de cor, cadernos e livros de histórias pátrias. Este é...Ah! disse. Quem me pediu uma fifi??
           _Eu! Eu! Disse Maria estendendo os braços.
          _Pois aqui está a sua fifi minha filha.
          _E o que foi que Marta pediu ? nada?
          _Eu queria uma boneca e um fogão pequeno também... A! você não me falou o que queria por isso eu lhe trouxe uma boneca, a Dondoca. Veja como ela é bonita, vestida com roupa da jovem guarda. O fogão fica para outra vez que eu for a capital, está bem?
          _Esta, papai! Disse Marta, abrindo logo a caixa em que estava a boneca.
          Todos agradeceram, e ficaram felizes com os presentes.
          _Mas ainda não acabou. Querem ver o que há nesta caixa?- E, abrindo-a tirou um burrinho marrom.
          _Olhe que beleza! Que lindo! Gritaram as três quase ao mesmo tempo.
           _Ah! Papai, dá para mim disse Maria.
          _ Ah! Papai, dá para mim disse Margarida.
          _Não minhas filhas, disse o papai finalmente. Este presente, não é para nenhuma de vocês. Deus nosso Pai, permitiu que eu pudesse dar a vocês o que pediram. Acontece que eu me lembrei do Zezé, o filho de nossa empregada. Vocês não acham que ele também, não é filho de Deus? E no entanto, eu nunca vi o Zezé receber um presente como vocês.
          Todos ficaram muito pensativos, quando a mamãe afirmou:
          _Isso mesmo, o papai fez muito bem em se lembrar do Zezé. Ele merece pelo esforço que tem feito na escola, e pelo bom comportamento que tem tido aqui conosco.
           _Muito bem. Todos concordaram?- Indagou papai.
          _Sim! Sim! Responderam.
          _Então depois do jantar, chamem o Zezé e lhe entreguem o presentinho.
          Todos ficaram alegres com a lembrança do papai, e providenciaram o empacotamento do burrinho marrou para mais tarde oferece-lo ao Zezé.
          A lembrança de trazer um presente para o filho da empregada, seria um bom exemplo do papai a ser seguido pelas filhas, segundo o que ensinou Jesus "Fazer aos outros, o que gostaríamos que fizessem a nós."

          VERIFICAÇÃO E FIXAÇÂO a Critério do Evangelizador.




A ONCINHA AMBICIOSA
Tema: desobediência
Ciclo: Pré e Primário
    
           Certo dia, a oncinha amanheceu muito triste, muito pensativa. Olhava indiferente os regatos de águas cristalinas, as árvores frondosas, os pássaros de plumagem multicor, que cantavam cheios de alegria. Não quis nem almoçar. Ela que geralmente tinha bom apetite. Seus pais ficaram bastante preocupados com a onçinha.
          Sentados na frente de sua casa, mamãe e papai, cuidavam da criação do pomar e das flores.
          Dona onça trazia um cafezinho para o Papai, que fumava o seu cachimbo.
    
          _Que será que ela tem, perguntou a mãe onça ao seu companheiro. Não sei respondeu ele, intrigado. A dias que a pequena está aborrecida. Vive olhando a floresta e os rios, tão desanimada! Ontem mesmo, quando apanhei uma gazela, não quis provar nem um pedacinho! Com certeza está doente. É preciso ver o que há.
          _Não, não é nada disso, tornou a mãe onça; eu acho que o que a pequena sente é saudades, saudades de alguma coisa que eu não sei o que seja....
          _Mas tem tudo o quanto quer, tornou o companheiro. Sou um pai exemplar que lhe faz todas as vontades. É verdade, concordou ela. Esta tarde, vou perguntar-lhe qual o motivo que a aflige.
    
           Infelizmente a oncinha, andava de um lado para outro, olhando tristemente aos atalhos da mata. Depois sentindo-se cansada, deitou-se à sombra de uma árvore, a beira de um regato. Aquele mesmo que costumava visitar quase todos os dias. E ali ficou muito pensativa. Sua mãe foi ao seu encontro. Vamos voltar para casa e ali conversar. Sentada em um banco, bem na frente de sua casinha, mamãe falou:
          _Minha filha, disse ele carinhosamente abraçando- a Que se passa com você ? Sente alguma coisa? Qual a razão dessa tristeza? Você era tão alegre!
          _Não é nada mamãe, tenho apenas uma vontade louca de conhecer outras terras.   

          _Por que, filhotinha? Você não se sente feliz aqui?
          _Sinto-me, mas.. Eu gostaria tanto de ver as cidades, as pessoas que vivem ali, outros bichinhos enfim ver outras paisagens.
          _Minha filha, agente deve estar contente onde Deus nos coloca. Fora dito aqui, pode ser perigoso. Acho melhor não sair de perto de nós que somos os seus pais.   
          _Oh! por favor, não me prenda, deixe-me ir, implorou ela.
          _Bem, minha filha, já que não quer ficar, disse-lhe a mãe com lagrimas nos olhos, pode ir. No dia seguinte a oncinha levantou-se bem cedinho, despediu-se de seus pais e partiu. Caminhou quatro dias e quatro noites, e na manhã do quinto dia avistou uma grande cidade.   
           Começou a andar pelas ruas, olhando admirada por todos os lados. Que coisa estranha, pensava ela, vendo casas muito altas, bondes, automóveis, e carroças, que cruzavam a todo instante, cheios de gente. Mas a medida que a oncinha caminhava, todos se afastavam horrorizados. Percebendo isso, a pobrezinha falou, toda cheia de mesuras: Não fujam de mim, eu não lhes vou fazer mal algum. Mas quanto mais ela falava mais eles saiam correndo. Uns subiam nos automóveis, outros nos bondes, e outros entravam nas casas, fechando as portas.
          _É uma onça, gritavam apavorados. Cuidado, ela morde! Ela é capaz de matar.
    
          Ouvindo os homens, ela compreendeu que eram realmente de raça diferente da sua, pois falavam uma língua que ela desconhecia. Eles também não devem me entender, pensou com tristeza. É melhor abandonar esta terra, e voltar à minha floresta. Mamãe tem toda razão. Devo voltar. Lá sou respeitada. Contudo mal tinha tomado essa decisão, viu-se cercada de todos os lados, por homens truculentos que traziam grossas cordas nas mãos. Muito assustada, a pobrezinha nem sabia o que fazer. Deixem-me, suplicava ela, desesperada. Eu quero voltar para a minha floresta. Quero viver junto aos meus pais. Deixem-me por favor. Nunca mais virei aqui. Mas o seu pedido de nada valeu, porque ninguém a compreendia. Continuaram a ameaça-la com os laços, mas precavidos, porque sentiam medo também. Finalmente depois de muito trabalho, conseguiram aprisiona-la, levando-a para um circo, fechando-a numa jaula de ferro.   
           A pobrezinha ao ver-se fechada naquela gaiola, debatia-se como uma louca, procurando sair. Compreendendo que todo o seu esforço seria nulo, pois os ferros eram muito fortes. Pôs-se a chorar amargamente. Se eu tivesse seguido os conselhos de minha mãe, não estaria agora sofrendo. Nunca mais verei mês pais. Morrerei sozinha, longe deles, que eram tão bons para mim. Oh! meu Deus que farei? Realmente, depois daquele dia a vida da oncinha foi um verdadeiro martírio.   
          Todos os dias o macaco ia visitá-la, comendo uma banana. O jaburu estava na jaula ao lado e consolava-a, dizendo. Não chores, um dia você ficará livre disso, podes crer. Todos os dias o domador obrigava-a a andar só com as patas traseiras. A subir numa grande bola. E quando a coitada perdia o equilíbrio, chicoteava-a sem dó e nem piedade. Algumas vezes as suas carnes chegavam até a sangrar, tal a violência com que lhe batia. Quando a oncinha já conseguia ficar de pé em cima da bola, o empresário do circo marcou o dia da estréia, em que ela deveria aparecer em público.   
           Esse grande espetáculo foi anunciado pela cidade inteira, com bandas de música e enormes cartazes coloridos, com o retrato do belo animal. Todos esperavam ansiosos a chegada do grande dia. Na cidade não se falava em outra coisa, a não ser nas habilidades da oncinha prodigiosa. Será uma coisa jamais vista, comentavam uns. Imagine, uma onça andar em cima de uma bola! Será uma coisa divertida, apartavam outros. Mas...uma surpresa, lhes estava reservada. Na véspera da estréia, estando o domador muito cansado, ao encerrar a oncinha na jaula, não fechou bem a porta.   
          O bichinho muito esperto, percebendo isso, esperou pacientemente que a noite chegasse, para fugir. Felizmente quando as trevas vieram, foram acompanhadas de um tremendo temporal, que obrigou a todos se recolherem em suas casas.
A onça vendo-se sozinha, empurrou a porta e saiu sorrateiramente sem que ninguém a visse. Depois pôs-se a correr em disparada, e só parou quando se viu fora de perigo. Sentindo-se a salvo, continuou vagarosamente, parando aqui ou ali, para comer e beber.   
           Finalmente, depois de muito andar, chegou a casa de seus pais, Eles a receberam de braços abertos, e ficaram muito contentes por ela ter voltado. Nunca mais deixarei de ouvir os seus conselhos- disse a oncinha, abraçando a sua mãe. Nunca deveria Ter saído do meio dos meus. Aqui é que é o meu lugar. Aqui é que devo viver...   

MÚSICA: Pirulito que bate-bate (AdaptaçãoLetra de Maria R. do Amaral)
I
Em uma grande floresta
Morava linda oncinha
Com mamãe e com papai
Mas alegria ela não tinha
II
A oncinha ambiciosa
Da mamãe se despediu
Mas voltou arrependida
E alegre se sentiu.  




Para Não Sujar os Sapatos
Written on Janeiro 1st, 2011 at 8:57 am by Historias Infantis

Era uma menina pobre, de caráter orgulhoso e arrogante e sua conduta
sempre foi péssima, desde os mais tenros anos. Quando era muitopequena,
sua maior alegria era apanhar moscas e arrancar-lhes as asas, para
convertê-las em insetos que só podiam arrastar-se.
Também apanhava baratas e escaravelhos e os espetava em alfinetes.
Feito isso, chegava-lhes perto uma filha de árvore ou um pedaço de
papel, divertindo-se em observar os movimentos desesperados dos pobres
insetos.
Agora o escaravelho está lendo - dizia a pequena Inger; - vejam como
quer virar a página.
À medida que crescia, tornava-se cada vez pior; todavia, era muito
linda e essa deve ter sido a causa da sua desgraça, pois, se não fosse
isso, teria recebido umas boas palmadas que não lhe deram.
- Custará muito abaixar essa crista dizia sua mãe. - Em pequena você
pisou meu avental e temo que, quando você for maior, queira pisar meu
coração.
E assim ela o fez, e por isso recebeu o castigo. Foi enviada a servir no
campo, em casa de uns senhores muito ricos. Estes a trataram como se
ela fosse sua própria filha e a vestiram de acordo. Ficava cada dia mais
bonita, mas, ao mesmo tempo em que aumentava a sua beleza, cresciam
seu orgulho e altivez.
Estava há um ano no emprego, quando seus amos lhe disseram:
- Você deveria ir até a sua casa ver seus pais, Inger. Ela pôs-se a
caminho, mas só se decidiu a fazê-lo, para exibir-se, para que seus pais
pudessem ver em que grandeza vivia e o quanto era formosa. Quando chegou
às portas da cidade e viu as moças e os rapazes conversando na beira
do poço e sua mãe sentada entre eles, com uma acha de lenha que cortara
no bosque, Inger voltou-se. Envergonhava-se de que uma jovem tão fina com
ela tivesse uma mãe tão esfarrapada e que ia ao bosque cortar lenha. E
depois de ter empreendido o regresso. não estava arrependida, mas
colérica.
Passou mais seis meses longe de sua família. - Pequena Inger, você não
tem mais remédio do que visitar a sua família - disse a senhora. - Aí
está um pão bem grande, que você poderá levar. Vão ficar muito contentes
em vê-la.
Inger vestiu o seu melhor traje e calçou seus sapatos novos. Ao caminhar
recolhia as saias e olhava bem para onde colocava os pés, para não,
sujar seus sapatinhos.
Ninguém poderia censurá-la por isso; porém, quando chegou ao caminho que
atravessava o pântano, viu que uma parte dele estava úmida e lodosa,
então largou o pão no barro para passar por cima dele e não sujar seus
sapatos.
Porém, enquanto estava com um pé sobre o pão e levantava o outro para
dar um passo, o pão afundou com grande rapidez, arrastando-a para as
profundezas. E não restou mais nada do que um charco cheio de bolhas.
Esta é a estória da orgulhosa e colérica Inger.
Mas que teria acontecido a ela? Foi parar nos domínios da Mulher do
Pântano, que tinha aí a sua fábrica de cerveja. A Mulher do Pântano é
irmã do Rei dos Elfos e tia das solteironas Elfas. Já se escreveu muito
sobre essas personagens, todavia, quanto à Mulher do Pântano, todos
sabem que, no verão, se a névoa invade os prados, é devido a ela que
está fabricando a sua cerveja.
E justamente no lugar destinado à fabricação da cerveja é que caiu
Inger. Mas ninguém pode permanecer ali por muito tempo, porque o
caminhão do lixeiro é muito agradável, em comparação com a cervejaria da
Mulher do Pântano. o odor que vem dos barris é capaz de fazer com que
qualquer pessoa perca os sentidos e os mesmos barris estão tão juntos
uns dos outros, que ninguém pode passar por ali, sem contar que todos
os espaços livres estão cheios de sapos e de viscosas serpentes.
A pequena Inger caiu naquele lugar horrível; fazia tanto frio, que a
pobrezinha tremia dos pés à cabeça e seus membros se enregelaram. o pão
estava de tal maneira pregado aos seus pés e pesava tanto, que ela não
podia se mover.
A Mulher do Pântano estava em casa. Naquele instante estava recebendo
a visita do velho Espantalho e sua bisavó. Esta era uma mulher muito ma,
que nunca estava inativa. Não saía de casa sem levar sua tarefa e
naquele dia também a levara. Ocupava-se em fazer uns fios de couro para
colocar nos sapatos das pessoas, a fim de que quem os usasse não
pudesse parar um só momento. Bordava mentiras e unia as palavras ociosas que caíam
ao solo, para usá-las em prejuízo de alguém. Sim, realmente, aquela
velha devia saber coser e bordar de um modo primoroso.
Ao ver a pequena Inger, colocou o monóculo e fitou-a da cabeça aos pés.
- Essa pequena possui algo notável disse. - Gostaria de levá-la como
recordação de minha visita. Serviria de estátua no corredor da casa de
meu bisneto e embelezaria o aposento.
E assim, Inger foi entregue a ela, indo parar no país dos Espantalhos.
As pessoas nunca chegam aí pelo caminho direto, pois é mais fácil ir até
lá seguindo as estradas mais compridas. o corredor em que a deixaram
era enorme, até o ponto em que a pessoa ficava tonta se olhasse na outra
direção. Havia ali uma grande multidão, muito suja, esperando que se
abrisse a volta misericordiosa, mas aguardava em vão.
Grandes e gordas aranhas, de patas muito compridas, teciam teias de mil
anos em volta dos pés daqueles infelizes; e as teias já pareciam toros
de madeira, que os imobilizavam. Ademais, em todas as almas reinava uma
inquietude incessante: a do tormento.
o avarento esquecera a chave do cofre e se lembrava de tê-la deixado na
fechadura. Mas seria muito longo enumerar aqui todas as torturas
daqueles infelizes. Inger tentou ficar em pé, como uma estátua, com um
cão solidamente agarrado aos seus pés, como uma grilheta de ferro.
- Este é o resultado de não querer sujar os pés - pensava. - Como todos
olham para mim!
Realmente, todos tinham os olhos fixos nela e todas as suas respectivas
más paixões se refletiam em seus olhos e falavam silenciosamente.
Constituíam um espetáculo verdadeiramente terrível.
- Sem dúvida é um prazer para eles fitarem-me - pensou Inger - porque
tenho um lindo rosto e estou bem vestida.
E, por sua vez, quis se virar para fitá-los, mas não o conseguiu, porque
seu pescoço estava entorpecido. Além disso, como estava suja desde que
entrara na cervejaria da Mulher do Pântano! Nunca lhe acontecera uma
coisa dessas.
Tinha a roupa coberta de limo, uma serpente se enrolara em seus
cabelos e descia pelas suas costas. Em cada prega de seu vestido
alojara-se um sapo, e todos gritavam como cachorros asmáticos. Era
asqueroso.
- Mas os outros também têm um aspecto espantoso - disse Inger à guisa de
consolo.
o pior de tudo era a fome horrível que sentia e ela não podia
inclinar-se para morder um pedaço do pão que lhe estava nos pés. Suas
costas estavam petrificadas
Também, assim como os braços e as pernas, de forma que todo o seu corpo
parecia ser verdadeiramente de pedra.
Só podia volver os olhos, mais nada. Era horrível. Logo apareceram umas
moscas, pousaram em seus olhos e, por mais que ela piscasse, os insetos
não se afastavam; não podiam voar, porque eram as mesmas moscas das
quais ela arrancara as asas.
Este era um novo tormento que vinha se juntar à fome terrível que
sentia. Dava-lhe a sensação de estar completamente vazia. Podem
imaginar semelhante tortura?
“Se isso durar muito, não poderei suportar”, pensou. Mas o certo é que
deveria durar e ela o suportaria. Logo uma lágrima ardente caiu-lhe no
rosto; resvalou pelo peito e foi cair no pão; caíram muitas mais, até
que pareciam uma chuva.
Quem chorava pela pequena Inger? Por acaso não possuía uma mãe na terra?
As lágrimas de dor por um filho sempre chegam até ele. Todavia, não lhe
aliviam a dor, muito pelo contrário, queimam e fazem seu tormento cada
vez maior.
Inger continuava a sentir aquela fome terrível e não podia alcançar o
pão que tinha sob os pés. Parecia-lhe que seu organismo se alimentava à
custa de si mesmo e sentiu-se fraca como um caniço. Ouvia tudo o que
se dizia na terra sobre ela e só podia perceber palavras duras e que soavam mal. Sua mãe chorava amargamente e no meio
ao maior sofrimento dizia:
- Antes de cair, é preciso dominar o orgulho. Essa foi a sua desgraça,
Inger. Quanto sofrimento você causou à sua mãe!
Esta e todo mundo, na terra, estavam inteirados do seu pecado, de que
pisara o pão e afundara para sempre. o pastor de vacas contara, pois
do montículo onde estava presenciara aquela cena inesquecível.
- Quanto sofrimento você causou à sua mãe, Inger! - exclamava a pobre
mulher. - Mas eu sempre achei que você acabaria deste modo!
- Oxalá eu não tivesse nascido! - pensava Inger do seu lado. - Estaria
melhor agora. As lágrimas de minha mãe não me servem de nada.
Ouviu seus bondosos patrões, que a haviam tratado como filha, enquanto
falavam dela.
- Era uma menina pecadora - diziam. Não dava o devido valor aos bens de
Deus, pelo contrário, pisoteava-os. Muito trabalho terá para abrir a
porta da misericórdia e do perdão. - Mais valia que me tivessem educado
melhor - pensava Inger. - Deveriam ter tirado com pancadas as loucuras
que avia em meu corpo, se e que as havia. Isso é o que deveriam ter feito.
Ouviu uma canção que fizeram para ela e que se tornara muito popular
no país. “A arrogante menina que pisou num pão para não sujar os
sapatos”.
- E’ triste ter de ouvir tantas vezes a mesma estória e que, além do
mais, me faça sofrer tanto! - pensava Inger. - Também os demais deveriam
ser castigados por seus pecados. Seria justo, sem dúvida alguma. Oh,
como estou sendo injustamente atormentada!
E seu coração se endurecia ainda mais. - Ninguém, nesta companhia,
poderia corrigir-se, sem contar que não desejo ser melhor do que sou.
Como me fitam!… Como me olham!
Seu coração estava cheio de cólera contra tudo e contra todos. - Agora
já têm assunto para conversarem. Oh, esta tortura! Ouviu muita gente
contar a sua estória as crianças e estas a chamarem: “a malvada Inger”,
dizendo que era tão ma que merecia ser atormentada. E não ouvia mais do
que palavras duras dos lábios infantis.
Um dia, porém, quando a fome e a cólera torturavam sua triste figura,
ouviu mencionar o seu nome. Sua estória era contada a uma menina
inocente e a pequenina chorava ao ouvir a estória da vaidosa e orgulhosa
Inger.
E ela não voltará à terra: - perguntou a menina. E, como resposta, lhe
disseram:
- Nunca mais voltará à superfície da terra. - E se ela pedir perdão e
prometer não fazer mais? - Não pedirá perdão. - Pois eu quero que o
faça! - exclamou a pequenina, que não queria consolar-se. - Darei a
minha casa de bonecas em troca, para que ela possa subir à terra, porque
é espantoso o que tem de sofrer continuamente a pobre Inger.
Estas palavras chegaram até o coração de Inger e parece que exerceram um
efeito benéfico. Era aquela a primeira vez que alguém dizia: “Pobre
Inger, sem acrescentar nenhuma palavra de condenação aos seus erros. Uma
criança pequena e inocente chorava e intercedia por ela e isso lhe
parecia muito raro. Gostaria de chorar, mas não conseguia mais derramar
uma só lágrima e esse era o maior tormento de todos.
À medida que os anos passavam na terra, passavam também debaixo dela,
mas sem trazer nenhuma mudança; Inger ouvia falar cada vez menos sobre
ela. Um dia, porém, percebeu um profundo suspiro.
- Quanta dor você me causou, Ingeri Eu sempre disse que você seria a
causa de meus sofrimentos.
era sua mãe que morria. De vez em quando, ouvia seus patrões
pronunciarem seu nome e as melhores palavras que sua senhora dizia eram:
- Tornarei a vê-la algum dia, Inger? Nunca soube onde teria ido parar
aquela infeliz criatura!
E Inger sabia muito bem que sua bondosa patroa não iria parar no lugar
em que ela se encontrava.
Passou-se mais um longo período. Inger ouviu pronunciar novamente o
seu nome e em cima de sua cabeça viu algo que pareciam ser duas
brilhantes estrelas. Eram, na realidade, dois olhos bondosos que se
fechavam na terra.
Tantos anos haviam passado desde que aquela boa menina exclamara: “Pobre
Ingeri” Agora ela se transformara numa senhora e Deus a chamava para
perto de Si. E nos últimos instantes, ao recordar-se de tudo que lhe
acontecera na vida, lembrou-se de que, em menina, derramara lágrimas de
dor ao ouvir a estória de Inger. A impressão era tão clara, que a
senhora exclamou:
“Oh, Deus meu, talvez eu, assim como Inger, também tenha pisado nalgum
de vossos benditos dons, sem dar-me conta; é possível também que meu
coração tenha dado lugar ao orgulho, mas, em vossa misericórdia, não
me deixastes cair! Perdoai-me em minha última hora!”
cerraram-se os olhos da anciã e os de sua alma se abriram para fitar as
coisas ocultas. E como Inger estivera sempre presente em seus
pensamentos, viu então em que profundezas caíra; e aquele espetáculo fez
com que derramasse muitas lágrimas. Logo se viu no Reino dos Céus,
novamente menina e chorando por sua pobre Inger.
Seus soluços e suas súplicas fizeram eco no vazio que rodeava a alma
prisioneira e torturada, que ficou aniquilada ao notar aquele
inesperado amor que vinha de cima. Um anjo de Deus chorando por ela! Por
que era concedido isso? E a alma torturada lembrou-se de todos os seus
atos terrestres e por fim começou a chorar.
Estava cheia de pena por si mesma e lhe parecia que jamais poderia
abrir-se para ela a porta da misericórdia. Porém, quando em humilde
contrição pensava em tudo aquilo, brilhou um raio de luz naquele abismo
de destruição.
E em meio àquela luminosidade, fundiu-se a figura da “menina que pisou
um pão” e surgiu um pássaro de plumagem cinzenta, que, depois de muito
agitar-se, empreendeu um vôo, desejoso de alcançar algum lugar, já que
a misteriosa ave era muito tímida e estava envergonhada de si mesma e
temerosa de encontrar o olhar de algum ser vivo, de maneira que se
apressou a buscar refúgio em algum canto de parede.
Ali ficou tremendo, sem poder proferir nem um som, pois não tinha voz.
Ficou por muito tempo naquele lugar, antes de alcançar a serenidade
suficiente para observar as coisas maravilhosas que a rodeavam. Sim,
eram realmente maravilhosas; o ar era doce e fresco, a lua brilhava
intensamente e as árvores e as matas despendiam um aroma suave e
embriagador; e o mais agradável de tudo, o que suas penas se tornavam
limpas e coloridas. Toda a Criação falava de amor e beleza!
o passarinho teria cantado com muita alegria os pensamentos que se
agitavam em seu peito, mas não era possível.
E o bom Deus, que ouve todos os hinos, também percebeu aquele salmo de
gratidão que tremia no peito do passarinho, assim como os salmos de Davi
faziam eco em seu coração antes que tomassem forma em versos e em
melodia.
Tais pensamentos e os cânticos silenciosos cresceram e se difundiram por
espaço de semanas; era preciso que pudessem expressar-se por meio de uma
boa ação.
Chegaram as festas de Natal. Os camponeses levantaram um poste,
apoiaram-no na parede e no alto prenderam um molho de aveia, para que os
passarinhos pudessem comer com abundância durante o dia feliz.
Durante o inverno o passarinho reconhecera e dera tantas migalhas de
pão, que em peso elas se igualavam a todo o pão que a pequena Inger
pisara para não sujar seus sapatos. Depois de ter comido a última migalha, suas asas se
tronaram tão brancas que as crianças junto ao mar disseram:
- Vejam ! Uma andorinha do mar branca. E o pássaro deixou a superfície
das ondas e voou em direção à luz do sol.
E resplandecia tanto, que não foi possível saber o que foi feito dele.
Algumas pessoas dizem que ele voou diretamente em direção ao sol.
FIM




O GATO MALHADO E A ANDORINHA SINHÁ: 


Uma história de amorAUTOR: JORGE AMADOEsta é a mais,uma, bela história de amor, Jorge Amado, a escreveu para seu filho João Jorge em 1948, quando da comemoração de seu 1º aniversário. Foi a única história infantil escrita por esse magnífico autor, mesmo assim, só foi publicada em 1976, quando João, bulindo em seus velhos guardados a reencontrou. Mestre Carybé, ilustrou, com tão lindos desenhos que todo mundo, merece, ler, reler, folhear e sonhar essa mesma história de amor, amor impossível, entre o velho Gato Malhado e a jovem Andorinha Sinhá.O velho Gato Malhado, maltês, olhos pardos,olhos feios e maus, rabugento, solitário, cuja fama, percorre todo o parque, fazendo com que todos os seres viventes dele se afastem.Quando a Primavera chegou, vestida de luz, de cores e de alegria, olorosa de perfumes sutis, desabrochando as flores e vestindo as árvores de roupagens verdes, O Gato Malhado, estirou os braços e abriu os olhos pardos, rebolou-se na grama, como se fosse um Gato jovem, soltou um miado que mais parecia um gemido e até sorriu. O Gato aspirou a plenos pulmões a Primavera recém –chegada. Sentia-se leve, gostaria de dizer algumas palavras sem compromisso, porém todos haviam fugido. Não, todos não. No ramo de uma árvore a Andorinha Sinhá fitava o Gato Malhado e sorria-lhe. O Gato perguntou-lhe? Tu não fugiste, como os outros? Sinhá diz: eu não, não tenho medo de ti.Tu não podes me alcançar, não tem asas para voar, és um gatarrão feio e tolo, alias, mais feio que tolo.Assim começa a história de amor entre o Gato Malhado, feio, rabugento e com fama de mau e a jovem, corajosa, ousada e louquinha; Andorinha Sinhá.O Gato era a sombra na vida clara e tranqüila da Andorinha Sinhá, ela o seguia do alto, pois pressentia o grande corpo do Gato quando ia a caminho do seu canto predileto e lá de cima, voando, Andorinha jogava gravetos sobre ele só para atrair a sua atenção.Um dia, ele esperou-a, e como ela não veio foi caminhando e quando deu por si, estava debaixo da árvore onde Andorinha morava com sua família.Começam a conversar, ela o chama de feio, ele não quer, ela o chama de formoso, ele não quer, ele pede que o chame de Gato. Ela diz que não pode, pois sempre disseram que Andorinhas não podem conversar com nenhum Gato. (Os Gatos são inimigos das Andorinhas).“Se eu não fosse um Gato te pediria para casares comigo” Andorinha Sinhá, voou rente sobre o Gato, tocou-lhe com a asa esquerda, ele até ouviu o coraçãozinho dela bater forte.Um dia, no outono, Andorinha Sinhá, procura o Gato Malhado e o avisa não vai poder mais vê-lo, vai casar com o Rouxinol.O Gato Malhado passa a viver das recordações e dos doces momentos vividos, fica triste pois sabe que não pode viver só de lembranças, necessita também dos sonhos do futuro. No dia do casamento da Andorinha com o Rouxinol, o Gato vai em busca da cobra cascavel,para por fim a vida, pois já não sonha mais, reconheceu que já não havia futuro com que alimentar seu sonho de amor impossível.Do alto, Andorinha o vê caminhando, e adivinha-lhe o pensamento e deixa cair uma lágrima sobre ele e pensa: quem disse que uma Andorinha não pode se apaixonar por um Gato Malhado. Quem determinou que o amor só pode florescer e frutificar entre os pares. Quem disse isso é por quê nunca viveu nem sonhou uma grande história de amor.





A Descoberta da Joaninha - Bellah Leite Cordeiro

  Temas: Amizade, caridade, amor ao próximo, bondade, fraternidade, solidariedade...



  Dona Joaninha vai a uma festa em casa da lagartixa.
 Vai ser uma delícia!
 Todos os bichinhos foram convidados...
 Dona Joaninha quer ir muito bonita!
 Porque, assim, todo mundo vai querer dançar e conversar com ela!
  E ela poderá se divertir a valer!...
  Por isso, colocou uma fita na cabeça, uma faixa na cintura, muitas pulseiras nos   braços e ainda levou um leque para se abanar.
 No caminho encontrou Dona formiga, na porta do formigueiro, e disse:
 - Bom dia, Dona Formiga!
 Não vai à festa da lagartixa?
 - Não posso, minha amiga. Ontem fizemos mudança e eu não tive tempo de me preparar...
 - Não tem problema! Tudo bem! Eu posso emprestar a fita que tenho na cabeça e você vai ficar linda com ela! Quer?
- Mas que legal, Dona Joaninha!
Você faria isso por mim?
- Claro que sim! Estou muito enfeitada! Posso dividir com você.
  E lá se foram as duas. A formiga radiante com a fita na cabeça.
  Dali a pouco encontraram Dona Aranha, na sua teia, fazendo renda.
 Ao ver as duas, a aranha falou:
  - Oi! Onde vão vocês duas tão bonitas?
  - À festa da lagartixa! Você não vai?
  _ Sinto muito! Não posso...tive muitas despesas e sem dinheiro não pude me preparar para a festa!
  Não seja por isso! disse a Joaninha - Estou muito enfeitada! Posso bem emprestar as minhas pulseiras...Vão ficar lindíssimas em você!
 - Que maravilha! disse a aranha entusiasmada.
 - Sempre tive vontade de usar pulseiras nos braços! Dona Joaninha, você é legal demais! Sabia?
 E dona Aranha, muito beliz, acompanhou as amigas. 
 Logo adiante encontraram a taturana. Como sempre, morrendo de calor!
 - Oi, Dona Taturana! Como vai?
- Mal! Muito mal com esse calor!...Sabe que nem tenho coragem de ir à festa da lagartixa?
 - Ora! Mas para isso dá-se um jeito! disse a Joaninha muito amável. - Poderei emprestar o meu leque.
 E lá se foi também a taturana, felicíssima, abanando-se com o leque e encantada com a gentileza da amiga.
 Mas, logo depois, deram de cara com a minhoca, que tinha posto a cabeça para fora da terra para tomar um pouco de ar.
- Dona Minhoca não vai à festa? disse a turminha ao passar por ela.
- Não dá, sabe? Eu trabalho demais! Quase não tenho tempo para comprar as coisas de que preciso... E, agora, estou sem ter uma roupa boa para vestir! Sinto bastante! Porque sei que a festa vai ser muito legal! Mas, que se vai fazer...
 - Ora, Dona Minhoca - disse a joaninha com pena dela. - Dá-se um jeito...Posso emprestar a minha faixa e com ela você ficará muito elegante!
A minhoca ficou contentíssima! E seguiu com as amigas para a festa.
Dona Joaninha estava tão feliz com a alegria das outras que nem reparou ter dado tudo o que ela havia posto para ficar mais bonita.
 Mas, a alegria do seu coração aparecia nos olhos, no sorriso, e em tudo o que ela dizia! E isso a fez tão linda, mas tão linda que ninguém na festa dançou e se divertiu mais do que ela!
Foi então que a Joaninha descobriu que para a gente ficar bonita e se divertir, não é preciso se enfeitar toda.
  Basta ter o coração bem alegre, que essa alegria de dentro deixa a gente bonita por fora! E ela conseguiu essa alegria fazendo todo aquele pessoal ficar feliz!




Maria Vai com as Outras

Sylvia Orthof
A ovelha Maria era mesmo uma Maria-vai-com-as-outras.
Até o dia em que descobriu que cada um pode ter o seu próprio caminho, basta querer.
Tema: Influência 
Era uma vez uma ovelha chamada Maria. Onde as outras ovelhas iam, Maria ia também. As ovelhas iam para baixo Maria ia também. As ovelhas iam para cima, Maria ia também.
Um dia, todas as ovelhas foram para o Pólo Sul. Maria foi também. E atchim! Maria ia sempre com as outras.
Depois todas as ovelhas foram para o deserto. Maria foi também.
- Ai que lugar quente! As ovelhas tiveram insolação. Maria teve insolação também. Uf! Uf! Puf!
Maria ia sempre com as outras.
Um dia, todas as ovelhas resolveram comer salada de jiló.
Maria detestava jiló. Mas, como todas as ovelhas comiam jiló, Maria comia também. Que horror!
Foi quando de repente, Maria pensou:
“Se eu não gosto de jiló, por que é que eu tenho que comer salada de jiló?”
Maria pensou, suspirou, mas continuou fazendo o que as outras faziam.
Até que as ovelhas resolveram pular do alto do Corcovado pra dentro da lagoa. Todas as ovelhas pularam.
Pulava uma ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra, quebrava o pé e chorava: mé! Pulava outra ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra e chorava: mé!

E assim quarenta duas ovelhas pularam, quebraram o pé, chorando mé, mé, mé! Chegou a vez de Maria pular. Ela deu uma requebrada, entrou num restaurante comeu, uma feijoada.
Agora, mé, Maria vai para onde caminha seu pé.
Sylvia Orlof



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